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Braga: há bairros com "vida" e projetos a nascer

O prémio "Habitat Scroll of Honour Award" foi entregue ontem à Bragahabit, numa cerimónia que decorreu em Baku, capital do Azerbaijão.


O prémio foi atribuído pela Organização das Nações Unidas (ONU) ao projeto Assembleia de Moradores. Esta é uma iniciativa que aproxima a administração da Bragahabit aos habitantes dos bairros das:

  • Enguardas;

  • Andorinhas;

  • Alegria;

  • Santa Tecla;

  • Picoto;

  • Parretas;

  • Montélios;

  • Bracara Augusta e Nogueira da Silva;

  • Rua Professor Machado Vilela.

Nas assembleias partilham-se projetos e oportunidades em prol da melhoria destes bairros. Promove-se a reflexão sobre as prioridades para o trabalho conjunto. Este, que é o único projeto europeu premiado, é também o primeiro projeto português a ser reconhecido.

Para Carlos Videira, administrador da empresa municipal,


Este projeto permite discutir os problemas, desafios e encontrar soluções. É um incentivo muito grande para a BragaHabit, enquanto promotora, mas, acima de tudo, para as pessoas que estão nos bairros e que sentem que o seu trabalho, para além de estar a fazer a diferença na vida das pessoas, está a ser visto. Esperamos que possa ser replicado noutras latitudes, porque aquilo que vemos é uma diferença muito grande na vida das comunidades.

Ainda segundo Carlos Videira,


Muitas destas associações estavam, praticamente, em gestão, sem eleição de corpos sociais há muito tempo, com grande dificuldade de recrutar moradores para integrar os órgãos e para fazer este trabalho de associativismo e de voluntariado em prol da sua própria comunidade. Depois do início da Assembleia de Moradores, as equipas estão mais robustas e há cada vez mais pessoas a participar no associativismo.

Desta parceria com as associações de moradores nasceu a primeira edição do Viva o Bairro. Um projeto que pretende aumentar o sentimento de pertença ao sítio onde vivem e tornar os bairros mais abertos e integrados numa cidade que se quer para todos.

Os projetos selecionados contam com cerca de 20 mil euros cada um para pôr em prática a sua ideia.


A RUM foi conhecer três dos dez projetos.


Escola de Música e Cidadania do Picoto conta com 30 alunos


Num bairro onde a pobreza transparece nas paredes degradadas de casas habitadas pela etnia cigana, vivem mais de 150 pessoas. Aqui, a Escola de Música e Cidadania do Picoto conta com cerca de 30 crianças e jovens.


Os professores aguardam a chegada dos alunos para dar início à aula e Mara Monteiro é a primeira a chegar. Mara aprendeu a tocar guitarra e carron.


Eu acho bem divertido, podemos aprender muitas coisas, os professores são os melhores. Eu achei que ia aprender mais coisas aqui, coisas musicais, e estar mais em convivência com as pessoas.

As amigas Matilde Silva e Noemi Ribeiro também aprenderam a tocar guitarra e carron.


Este projeto é fixe, nós passamos o tempo aqui e comecei a gostar.

As jovens demonstram o seu entusiasmo sobre a possibilidade do projeto continuar e afirmam que o carron é o instrumento que mais gostaram de aprender a tocar, até porque o identificam com a sua cultura.


A professora Eliete Gonçalves refere que


As aulas são divididas em três modalidades, uma aula de prática instrumental, uma aula de formação musical, que é a aula teórica, e uma aula de oficina criativa, que é uma leitura, através de atividades lúdicas, da realidade social e uma interpretação que os alunos fazem dessa realidade.

Acrescenta ainda o impacto que este projeto tem na autoestima dos jovens. E também na abertura dos mesmo em participar em outras atividades e outras comunidades.


Eles sentem-se mais pertencentes a outros espaços por meio das atividades que realizam aqui, com as crianças que não são ciganas.


Programa Sénior Feliz, Saudável e Seguro "é uma hora de libertação"


No bairro social das Enguardas, na Freguesia de São Victor, é hora da aula de ginástica, onde o aluno mais velho tem 86 anos e o mais novo 58. O programa Sénior Feliz, Saudável e Seguro reúne todas as segundas-feiras, às 9h30, mais de duas dezenas de habitantes do bairro. Habitantes que procuram manter mente sã em corpo são. Arminda Costa, aluna assídua, refere que,


Eu acho que isto é uma coisa útil, este projeto está a fazer bem a muita gente e temos que progredir, são coisas que fazem muito bem à saúde. Se pudesse haver mais dias eu ficava feliz, mas uma vez por semana já é bom.

Outro aluno assíduo é Manuel Henriques,


Isto é de louvar. A ginástica, embora seja básica, é uma hora de libertação, durante aquela hora somos felizes. É uma forma de todos aqueles a quem faltam cuidados os ter aqui junto da associação.

António Araújo, representante da Associação de Moradores e no bairro, ressalva o entusiasmo que estes projetos trazem.


Temos tido muita participação, fazemos outras atividades com os idosos, como o box sénior, temos para breve a capoeira, também estamos em negociações com as professoras de música para termos umas aulas. As atividades das associações de moradores replicaram-se com este projeto e as coletividades estão com vontade de trabalhar e de planear atividades.

Carlos Videira, administrador da BragaHabit, refere que


As atividades conseguiram ganhar espaço na agenda das pessoas que lá vivem e, em alguns casos, até de pessoas que não vivem nos bairros, mas que lá vão, em função das iniciativas que são realizadas.

Para a empresa municipal, acrescenta,


É fundamental conseguir capacitar as pessoas no terreno para fazer este trabalho, em primeiro lugar, de interlocução, para que possam ajudar a priorizar as necessidades e a intervenção no território e, em segundo lugar, de resposta imediata que pode ser prestada por essas pessoas e que acaba por ser uma resposta melhor do que aquela que a empresa daria, de uma forma centralizada.


Ringue da Amizade: de uma praça de cimento a um espaço intergeracional


Junto à Rua Professor Machado Vilela, onde as fronteiras do bairro ultrapassam os limites da freguesia de São Victor, localiza-se o Ringue da Amizade.

Este é mais um dos dez projetos aprovados na primeira edição do Viva o Bairro. Neste caso, o objetivo é juntar diferentes gerações no mesmo espaço.

Carla Freitas, presidente da Associação Pegadas do Brincar, entidade promotora do projeto, refere que o mesmo tem como propósito envolver


A comunidade na transformação do espaço, no sentido de o humanizar, através de uma diversidade de experiências. Nós temos a área do conto, a área dos jogos, a área do movimento mais livre, até porque conhecemos bem os efeitos negativos que tem uma infância sedentária. O objetivo é ligá-los o máximo possível à natureza.

O Ringue da Amizade é um projeto pensado através das crianças. Onde foram integradas as suas ideias e contributos.


Elas manifestaram um conjunto de interesses através de oficinas de cocriação em que os arquitetos ouviram os desejos que tinham e a partir daí listaram todas as atividades que eram viáveis, retiraram só piscinas ou rodas gigantes, que não se adequavam, e procuraram integrar tudo o resto.

Carla Freitas ressalva que os próprios arquitetos elogiaram a articulação com os mais pequenos. O que de outra forma não seria possível pensar ou projetar uma praça tão rica. Embora não viva no bairro, José Pedro Macieira está ansioso por ver o ringue e as suas ideias concretizadas.


Imagino-me a brincar com estas crianças, que são o futuro do mundo. Tivemos umas ideias de áreas para bicicletas e de uma cozinha do lama, para trazer mais crianças para o ringue e não se magoarem.

Mirna Fierne também não é habitante deste bairro. Mas foi aqui que encontrou a família que não tinha em Portugal.


Eu tinha acabado de chegar a Braga e foi uma oportunidade de socializar a Laura (a filha).

Eunice Freitas, que vive no bairro há 20 anos, espera que os filhos possam, tal como ela, aproveitar o espaço público onde miúdos e graúdos convivem em harmonia.


Quando eu aqui cheguei, foi muito importante para a minha adaptação o grupo de amigos que encontrei. Chegar da escola, poder estar aqui no ringue e poder fazer amigos tão perto de casa.

Agora, com filhos, Eunice reconhece que


É extremamente importante ter um espaço onde eles possam brincar de forma segura, saudável, ao ar livre, em contato com outras crianças e vizinhos. As famílias que estão sós, por exemplo os casais de idosos, ou pessoas que já têm mais idade porque é um espaço que pretende agregar todos. Nós queremos muito ver essa transformação e sem esta ajuda às vezes fica difícil começar.

Eunice enalteceu também o prémio que a ONU entregou ontem à BragaHabit. Considera que é fundamental para motivar as entidades a desenvolver e a ajudar mais.



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